Dia 08/07/2010

Entrevistada: Hamilton dos Santos

Hamilton dos Santos/coordenador do projeto da Praça
" Uma cidade como São Paulo tem outras áreas degradadas. Estas áreas podem ser sim, todas reabilitadas, devolvidas para uso público."
A arquitetura da Praça Victor Civita é inovadora. Para reabilitar a área de mais de treze mil metros quadrados na zona oeste de São Paulo foi criado um imenso deck que se comunica com as passarelas de concreto. Ele evita o contato com o solo. Ipê, Garapa e Sucupira foram as espécies escolhidas pelos técnicos do IPT - o Instituto de Pesquisas Tecnológicas - pela resistência e durabilidade. A madeira, que estrutura também o palco e as arquibancadas, é certificada - foi extraída respeitando a legislação ambiental. Uma estrutura metálica reciclada sustenta tudo isso. Hamilton dos Santos, diretor do Instituto criado para gerir a praça que homenageia o criador do grupo Abril, explica porque a editora mobilizou prefeitura, empresas e outras organizações para realizar o projeto.
Hamilton dos Santos/diretor do Instituto Abril e coordenador geral do projeto - :
" A história toda começa em 1997 quando a editora Abril se muda para o bairro de Pinheiros, para a rua do Sumidouro, ou seja, a gente era vizinho deste terreno e ele era uma visão horrível. Era um lugar num espaço nobre da cidade mas coberto de lixo. Nós procuramos a prefeitura e tentamos com eles uma ação que pudesse reabilitar o terreno para uso público".
Durante quarenta anos, até o final dos anos 80, este espaço era usado para a incineração de lixo doméstico, hospitalar e industrial, em menor proporção. O resultado foi a contaminação do solo por metais pesados como o chumbo e o zinco. O prédio aqui, onde funcionava o incinerador, ficou com as paredes cobertas de outras substâncias perigosas, as dioxinas.
Nele funciona o Museu Aberto da Sustentabilidade. As fotos mostram como o prédio foi recuperado. Para eliminar as dioxinas, poluentes orgânicos altamente tóxicos, persistentes e cancerígenos, as paredes tiveram que ser raspadas. Saíram daqui 66 toneladas de resíduos. A exposição mostra que a capital paulista tem mais de setecentas áreas contaminadas abandonadas. A maioria abrigou postos de combustíveis.
A Praça tem vários canteiros . A água da chuva garante a manutenção dos jardins.
Paula Nadal/editora do projeto da Praça Victor Civita - :
" Aqui entro tem fibra de coco. Essa fibra tem a capacidade de sugar a água do solo."
A horta foi plantada pelos participantes das oficinas de educação ambiental realizadas neste espaço. Placas para captação da energia solar garantem o funcionamento dos chuveiros nos vestiários. Com o tempo a idéia é instalar novas unidades para que toda a geração de energia seja suprida assim. Com todas essas inovações o custo da Praça foi bem alto: 10 milhões e setecentos mil reais.